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De acordo com a reportagem realizada pelo site Publico.pt, Banco de Portugal fecha empresas de câmbio por suspeita de branqueamento de capitais do tráfico de droga. A matéria é de Rosa Soares, Pedro Sales Dias e Luís Villalobos. Foto: Rita França.
O Banco de Portugal (BdP) determinou a suspensão de todas as actividades das entidades Money One, Sociedade de Pagamento e Câmbios, e da Transfex, Instituição de Pagamentos, por suspeita de branqueamento de capitais.
A decisão do BdP surge depois de cinco pessoas ligadas à gestão destas duas empresas de câmbios terem sido esta quarta-feira detidas numa mega-operação da Polícia Judiciária por suspeita de terem dissimulado através das firmas vários milhões de euros provenientes de tráfico de droga. A investigação está a cargo da Unidade Nacional de Combate à Corrupção. Cerca de 150 inspectores estão ainda a desenvolver buscas pelo menos na área da Grande Lisboa, adiantou ao PÚBLICO fonte daquela polícia.
Em comunicado, a entidade supervisora refere ter recolhido “um conjunto de elementos de informação que indiciam fortemente estarem as sociedades a ser utilizadas, por pessoas directa ou indirectamente relacionadas com as estruturas accionistas e/ou de gestão daquelas entidades, para a circulação de fundos provenientes de origem ilícita, com o objectivo de, assim, se assegurar a integração dos mesmos no sistema financeiro e o seu subsequente branqueamento”.
A página na Internet da Money One destaca que esta sociedade opera no mercado financeiro de envio e câmbio de dinheiro há mais de 10 anos em Portugal e possui 17 lojas a nível nacional. A empresa refere ainda que trabalha "sempre em conjunto com as autoridades internacionais, estando também constantemente sob fiscalização dos departamentos bancários e auditorias externas do sector".
O PÚBLICO tentou contactar telefonicamente e pessoalmente os responsáveis da Money One e da Transfex, que ofereciam serviços de câmbios e de envio de fundos para o estrangeiro. No entanto, o número associado à morada da Money One em Lisboa está fora de serviço e não foi possível entrar em contacto com a Transfex (autorizada a operar pelo Banco de Portugal em Abril de 2013). Na sede da Money One, no centro de Lisboa, foi possível perceber que os funcionários da empresa continuavam a trabalhar, mas estava de portas fechadas. Já a loja sediada nos Restauradores manteve-se aberta durante a manhã, mas acabou por encerrar pelas 14h e após o PÚBLICO ter entrado nas instalações.
O funcionário que estava no local informou estar a par da situação da empresa e aguardava futuras informações por parte dos seus superiores. Disse ainda que teve clientes durante a manhã, mas que não estava autorizado a fazer transacções, nem a dar mais informações acerca do assunto.
Já na sede da Transfex, um responsável da empresa, acompanhado por mais dois funcionários, abriram a porta do escritório mas recusaram-se a prestar qualquer declaração acerca da suspensão das suas operações ditada pelo Banco de Portugal. A Transfex tem uma operação de atendimento ao cliente mais reduzida do que a da Money One, com três lojas na área da Grande Lisboa.
Com a decisão do BdP, as duas sociedades estão impedidas de realizar quaisquer operações, como envios de fundos do e para o exterior, operações de câmbio manual ou quaisquer outras, em Portugal ou através de sucursais no exterior. "A recusa de acatamento das determinações específicas ora emitidas ou a criação, por qualquer forma, de obstáculos à sua execução fazem incorrer os autores de tais condutas na pena prevista para o crime de desobediência qualificada", refere o comunicado no site do BdP.
A suspensão manter-se-á até que o Banco de Portugal informe as instituições de pagamento visadas de que considera estarem reunidas as condições necessárias para o reinício de actividade ou até que tal suspensão seja substituída por outra medida.
Ao PÚBLICO, o Banco de Portugal explicou que “no âmbito da denominada supervisão anti branqueamento de capitais e de combate ao financiamento do terrorismo” o banco colabora activa e estreitamente, numa base regular, com a Procuradoria-Geral da República, com a Polícia Judiciária e com outras entidades que têm também por missão o combate a este tipo de criminalidade”. O BdP garantiu ainda que “nos últimos cinco anos não há qualquer registo de suspensão de actividade de outras instituições financeiras por razões exclusivamente relacionadas com a prevenção do branqueamento de capitais ou o financiamento do terrorismo”.

































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